Viciado em Coltrane

Capa do álbum A love Supreme:

Confesso. Estou viciado. Viciado em John Coltrane. Seu álbum A Love Supreme, lançado em fevereiro de 1965, portanto há exatos 56 anos, nasci em 1963, é simplesmente divino. Não encontro outro adjetivo à altura. Genial seria pobre. Cada faixa é um presente supremo, um raio de luz que desce dos céus sobre você e te faz transcender. Depois de burro velho, travo intimidade com este músico único. Culpa de dois argentinos que amam o Brasil: Mauricio Mancovsky e Roberto Rutigliano. Fui obrigado a estudar jazz para poder contribuir de alguma forma com o Jazz Online, que em março exibe dois shows sob minha direção:

No dia 19 de março, a apresentação será do projeto Afro Coltrane. O quinteto é formado por Nivaldo Ornellas (saxofonista que já gravou com Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Toninho Horta, entre outros), Antonio Guerra (pianista premiado pelo festival Mimo), Sergio Barrozo (contrabaixista que já tocou com artistas como Elis Regina, Wilson Simonal e Elizeth Cardoso), Didac Tiago (percussionista e diretor do Rio Maracatu), e Roberto Rutigliano (baterista e produtor do grupo).

E no dia No dia 26 de março, será a vez do duo Gilson Peranzzetta (piano) e Mauro Senise (sax alto, soprano, flauta e piccolo), com repertório que passa por clássicos da MPB e composições de Senise, com arranjos de Peranzzetta. Os dois celebram 30 anos de parceria, com 12 CDs no currículo e turnêsnos mais importantes festivais do Brasil, EUA e Europa, como o Vienna Jazz Festival, o Summer Festival, no San Francisco Jazz Center, e o Buenos Aires Jazz Festival.

Voltando a falar do meu Coltrane vício, já ouvi mais de 100 vezes A Love Supreme somente este ano de 2021. Geralmente quando estou cozinhando, produzindo ou escrevendo. Esqueço esta desafinada pandemia, este governo que não tem ritmo, as mazelas que nos faz sambar todos os dias na avenida das injustiças. Coltrane corre pela minha corrente sanguínea e explode em meu cérebro, proporcionando uma viagem prazerosa e iluminada. Sou transportado a um outro mundo, onde o mal teve sua semente queimada, como vaticina o mestre Nelson Cavaquinho em seu etéreo Juízo Final.

Convido você meu companheiro de jornada nesta vida tumultuada a embarcar nessa onda comigo, caso não tenha experimentado Coltrane na veia. Experimenta e me conta. Segue o link, e boa viagem!

Francis Ivanovich, cineasta e diretor do Jazz Online Brasil.